29/04/2015 11h32 - Atualizado em 29/04/2015 11h32

Os consumidores têm uma percepção clara de diversos materiais construtivos como concreto, cerâmica ou metais, porém o assunto fica mais nebuloso quando se fala de madeira.

A percepção preconceituosa do material madeira varia da qualidade subestimada, em que muitos acreditam que só serve para barracos, até aos ambientalistas que defendem sem qualquer fundamento científico o uso de materiais alternativos que preservem florestas. Os dois casos refletem falta de informação.

A madeira – especialmente aquela que vem de espécies de ciclo curto cultivadas em reflorestamentos – sequestra e estoca na forma de bens duráveis o carbono da atmosfera, responsável pelo chamado efeito estufa. Além disso, é o único material construtivo 100% renovável. Madeira tratada industrialmente obedece rigorosamente  as normas técnicas, tem qualidade, desempenho e durabilidade asseguradas. Por isso madeira cultivada e tratada é matéria-prima ecológica e seu uso, ao contrário do que algumas pessoas imaginam, ajuda a diminuir a pressão sobre florestas nativas.

Nossos tempos – Nosso ponto de partida é a constatação de que aos olhos do mercado, cimento é material construtivo, assim como a cerâmica e o alumínio. Madeira, não. Muitas vezes é tido como material secundário para construir barraco, queimar como lenha, fazer forma de concreto ou construir uma casa de campo. Essa é a demonstração de que ainda falta ao país consolidar uma cultura madeireira, a despeito de toda a sua vocação florestal. Acontece que, durante muito tempo, madeira foi matéria-prima abundante e não nos demos conta do seu valor real. Agora, diante dos fatos e de uma nova consciência ambiental que nada tem a ver com o ambientalismo, a análise objetiva dos materiais construtivos disponíveis não deixa margem para dúvidas sobre as vantagens comparativas da madeira. De um lado, os reflorestamentos criam verdadeiros poços de carbono renováveis e de custo relativamente baixo. 

Por outro lado, a engenharia brasileira descobre as propriedades técnicas da madeira como a melhor relação peso/resistência. Avançou o conhecimento interdisciplinar sobre a madeira, como foco da arquitetura, engenharia, biologia e agronomia. Embora ainda lentamente, este processo fez com que a normalização avançasse também. Conscientes da relevância de fazer com que estas informações chegassem ao mercado, entidades representativas do setor investiram em comunicação.

Casos exemplares são os da ABIMCI (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), SBS (Sociedade Brasileira de Silvicultura) e das associações tanto dos produtores, quanto dos preservadores de madeira, entre outras. Exemplo recente é o da ABIMCI, com o lançamento da cartilha intitulada “Madeira Legal”, recheada de informações ecologicamente corretas, que tem como alvo a criança, procurando sensibilizar o mercado pela base. A preocupação traduz-se em uma abordagem técnica fiel e contribui para a produção cultural voltada ao uso correto da madeira no país, desmistificando a exploração sustentada e usos inadequados. A Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira também criou um símbolo importante ao traduzir tecnicamente a importância de se aprisionar carbono numa jaula de madeira. O original foi feito em abril de 1993 e publicado na versão ainda em papel do boletim Preservação; o público-alvo é outro, mais ligados a questões técnicas e ambientais, mas o impacto cultural da criação, guardadas as proporções, é o mesmo. Tanto que a imagem original foi recriada e colorida pelo autor nos quadrinhos de divulgação científica da série “Os Cientistas”. A tirinha, com detalhe reproduzido na ilustração, foi publicada pela Folha da Região de Araçatuba (SP) na edição de 23 de janeiro de 2004. o setor madeireiro-florestal brasileiro precisa investir consciente e de maneira crescente na criação e fortalecimento de seus próprios símbolos. No final do ano de 1993. a ABPM lançou ainda a campanha “Viva a Mata – use madeira preservada”, adotando como símbolo um simpático coala, que vive do eucalipto. Embora australiano, o bichinho tem tudo a ver com a madeira dessa espécie, cultivada e tão bem, adaptada no Brasil.

A criação exclusiva para a Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira foi da artista plástica Claudia Campos. Para que o mercado tenha uma percepção correta das vantagens da madeira preservada na construção civil – ou em outras aplicação – é fundamental que estas informações cheguem ao consumidor de madeira acessível, sem excessos técnicos. Por isso grandes fabricantes de materiais construtivos investem pesadamente em comunicação. Determinadas campanhas chegam a saturar, como no merchandising colocado em prática em novelas de grande audiência. Atentos ao mercado, em sintonia fina com nossa época, procuramos fazer nossa parte levando informação de qualidade ao mercado e apostando em novos símbolos que tornem a informação sobre madeira ainda mais acessível. Só seremos encarados como um setor produtivo coeso, do plantio colheita e industrialização, a partir do momento em que conseguimos sensibilizar o mercado. 
 

Fonte: Referência Madeira